terça-feira, Março 29, 2011

compondo

Calço as luvas de pelica para manipular, novamente, as palavras. Evito impressões digitais. Marcas indesmentíveis que me identifiquem por entre a multidão. Que pretensão ousar qualquer unicidade na minha escrita! Se os músicos perseguem uma marca inconfundível, misturando cordas, sopros, teclas, precursão e voz, que reduzido é, por comparação, este léxico de que disponho. Jamais as reticências soarão como um violino, no momento preciso em que a última nota morre já no parto do silêncio. Quando a doçura do som e a paz da sua ausência, se reúnem no derradeiro acorde. Se há poemas que são sinfonias ou, ao menos, breves nocturnos, quisera eu alcançar tão divina sublimação. Misturar letras, pontos e ditongos, e na mais íntima leitura, poder fazer chegar uma melodia. No inesperado ribombar de um til, trazer a chuva numa sucessão de sibilantes, e deixar que o desmaio num regato se fizesse entre is e às de fresco espanto.

2 Comments:

Blogger a-bordo said...

yes... you can!

10:07 da tarde  
Blogger th said...

Se me tivessem dado a ler este post, sem data ou assinatura, eu diria que era um dos teus posts de antigamente. Isto diz-te alguma coisa? Beijo, eu contente por teres voltado, theo

1:34 da manhã  

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