quarta-feira, maio 21, 2008

entalão

Esqueci-me do dedo na porta, mas ela não se esqueceu do meu dedo. Rejeitou-o das suas finas entranhas, deformado e dorido. Agonizante. Agora que ele me dói, dou-me conta do trabalho mudo, surdo, discreto que normalmente desempenha. Os seus companheiros, receosos de semelhante destino, hesitam penitentes segundos antes de qualquer tarefa. Eu presto-lhes a homenagem devida pela dificultada sincronia e salvaguardo o pobre desvalido de qualquer esforço consciente. Um dia, quando for eu o dedo em falta, assim será, mas tarde, tarde demais.

5 Comments:

Blogger nana said...

e é assim
assim
que até a dor
se torna beleza
quando as palavras.




..

12:43 da tarde  
Blogger batista said...

só tu, Amiga, só mesmo tu, rss!!!

um abraço saudoso.

12:21 da tarde  
Blogger Softy Susana said...

Tinha saudades de te ler!
Li mais de 30 de uma só vez!
Bom, muito bom...
beijinhos!

11:23 da manhã  
Blogger Santos Passos said...

O texto chega a transmitir a dor.
Beijinhos

1:44 da manhã  
Blogger jp said...

os doridos têm o condão de fazer sempre questão de que os outros também não
percebes-te minha amiga?

2:40 da manhã  

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