segunda-feira, julho 02, 2007

quem espera...

Teceu os dias numa sala de espera. Num fuso imaginário. Laçando horas e fios de meadas sonhadoras. Aguardou a vez que nunca chegou, entrelaçando os cabelos mais escassos e brancos com os gestos da rotina. Acreditou no dia em que a sorte passaria à sua porta e nesse dia chegou-lhe a morte. Abandonou-se incrédula ao tempo que passara e à juventude roubada entre paredes de esperança. Cruzou os braços à última viagem. A certeza que negara, na gorada expectativa de um vislumbre de amor, era o fim único da sua escusada paciência.