quarta-feira, agosto 23, 2006

tempo de agora

Não chove por ora mas os dias mais curtos e o céu carregado... E tu, ao meu lado, apesar de chegares... E os pulmões cansados de tanto cigarro também um dia... Como a comida guardada depois de amanhã... O gato que dorme, dorme apenas ainda.
Misturam-se já as partículas de um tempo que sabemos que vem, e envelhecerá o que nasce até à morte. Porque em cada sorriso mora um esgar potencial e em cada manhã uma noite atroz.
Mas se visto a gabardina tenho calor, se te fecho a porta e apago o cigarro e apago o fogão... é que o gato dorme apenas ainda, meu amor!
É que esse tempo que mata o presente não mata o passado, depois sozinha empalideço a dor com a tua memória, deste tempo que é tempo de fazermos agora.

7 Comments:

Blogger jp said...

já te disse um dia, que esperar demais,é perder.
remoer velhas estradas,ou potenciais inventadas...
o gato dorme porque é da sua natureza, não da tua, gaja
;-)

3:41 da tarde  
Blogger Bastet said...

Pois mas também já me disseste que vinhas beber um copo comigo e nada! E as saudades tuas Jotinha que lhes faço? :)*

5:14 da tarde  
Blogger th said...

A angústia do pensar numa vida paralela que podia ser a nossa...
e se... e se...
o gato dorme e é feliz, e se mia é porque quer dizer-nos que está ali para nos confrontarmos connosco mesmos...

8:34 da tarde  
Blogger Bastet said...

Sobretudo amiga Theo o eterno adiar do presente com medo do improvável futuro! Um beijo minha querida e obrigada pela tua visita.

4:04 da tarde  
Blogger Mar said...

O gato dorme mas também se espreguiça e se lava docemente, como que preparando-se para o que há-de vir, os telhados que tem que calcorrear até encontrar a gata do seu sonho...enquanto dormiu. ;-)

Adiar presentes nunca é uma boa idéia.

10:10 da tarde  
Blogger batista filho said...

Se “em cada sorriso mora um esgar potencial e em cada manhã uma noite atroz”, mesmo a careta mais medonha pode se transformar num sorriso de puro encanto, bem como toda noite, por mais trevosa que seja, traz a si a promessa de uma manhã ensolarada.
Quanto ao teu último parágrafo, mais que qualquer outro, que bela construção literária, amiga! – e mais que uma construção literária, sinto o pulsar de sentimentos fortes.
Estás de parabéns ao transformares dores/inquietações em pérolas com que nos presenteias.
Deixo o meu abraço fraterno.

10:32 da tarde  
Blogger Bastet said...

Olá Mar! Tu que és "mar" sabes bem que não há ondas que se repitam. Lá dizia o grego "não nos podemos banhar duas vezes nas águas do mesmo rio". É isto o presente. Um tempo único que se faz agora. Um beijo.

Querido Batista: As tuas palavras são sempre abraços reconfortantes, sobretudo porque "tiras" sempre dos meus textos as passagens mais fortes, as que eu também mais gosto. Obrigada por me saberes ler. Um beijo.

10:52 da manhã  

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