terça-feira, janeiro 10, 2006

guerra e paz

Tépidas águas, mornos desejos, travessia. Despem-se os dias na melancolia. Perdem-se as folhas, guardam-se as mãos e os beijos, relê-se o tempo nas chamas de uma lareira. Aposta-se que sim, quer-se que não. Dão-se os abraços, procuram-se confortos, aquecem-se os corpos sem juras, promessas ou paixão. Leva-se o rumo do norte ou do sul, ao sabor da sorte ou da tranquila oscilação das correntes. Que uma noite se partem. Que uma noite se quebram. Procuram-se reforços, motivos, desejos, acendalhas e remos. Procura-se na paz o tempo da guerra. Procura-se o lume, o abismo, o salto, as vestes quentes da loucura que trajamos com a bravura de um combate. Saramos as feridas, lambemos as mágoas. Trazemos o barco à enseada. Tépidas águas, mornos desejos. Tiramos a cota de malha. Despimos os dias na melancolia. Quer-se que sim, aposta-se que não. Sentamos as dores à fogueira. Renegamos a guerra, o amor, o desejo, as vagas. Que um dia se soltam. Que um dia nos levam. Tempos de paz. Anseios de guerra. Tempos de guerra. Anseios de paz.

10 Comments:

Blogger jp said...

Daí o outro senhor cantar que só estou bem aonde não estou.
Encaremos esta etapa como o Inverno, o tempo de ler cá dentro.E façamos desta cerimónia do chá o tempo que dela quisermos. A vitória faz-se de várias guerras, não é Bastet?

5:36 da tarde  
Blogger The Challenger said...

penso que não, aposto que sim!
aposto que sim, tenho a certeza, que não me vão faltar as forças para continuar, para levar o navio a bom porto, o último, do qual nenhum de nós alguma vez poderá escapar por muito que o tentemos. :)

6:13 da tarde  
Blogger ikivuku said...

Se ao gesto for indiferente a loucura, há logo a seguir o momento que traz o conforto do esquecimento. Eu sei que não são as palavras que nos salvam, mas como não há outra salvação para além das palavras, talvez sejam afinal as palavras que nos salvam. Não sabendo nós o que é salvar dizemos então, à laia de definição, que salvação é essa coisa que acontece quando as palavras aparecem certas no lugar certo.

7:35 da tarde  
Blogger Bastet said...

É isso tudo JP!!! Resumiste de forma incrível o que eu quis transmitir com este texto! E a vitória final será nossa! :)

Challenger: Passamos o tempo mais preocupados com o porto final do que com as pequenas enseadas onde nos vamos aportando... e essas, meu querido, é que ditam a qualidade do último desembarque! :)*

Ikivuku: Talvez sejam as palavras que nos salvam... foi a Palavra o instrumento divino escolhido para a salvação...
O que eu sei é que é preciso ser omissa de palavras durante este longo período para merecer um comentári teu! LOL!!! :)

11:22 da manhã  
Blogger Mocho Falante said...

ola ola.... aqui estou eu de volta.

Vim dar uma beijoca, prometo voltar para dar mais atenção ao texto

xuac

5:58 da tarde  
Blogger Caracolinha said...

No fundo tudo isso ... somos nós ... ;)

Beijoquinha encaracolada :)

10:14 da tarde  
Blogger forass said...

bastet, não se limpam armas em tempo de guerra!

12:10 da manhã  
Blogger Bastet said...

Bem regressados sejam mocho e caracolinha! :)**

Estás enganado Formiga, é precisamente em tempo de guerra que mais se limpam as armas para que não falhem quando são necessárias.

11:09 da manhã  
Blogger forass said...

E arriscas-te a levar um tiro?

11:49 da manhã  
Blogger Bastet said...

Sim Formiga, não há outro remédio. Tal como os animais selvagens quando bebem, há sempre uma altura que temos de baixar a guarda. Então é esperar que a sorte nos acompanhe e que o inimigo também esteja distraído a limpar a arma dele.

3:10 da tarde  

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