terça-feira, janeiro 17, 2006

aquela janela

Pudesse-me eu pôr-me àquela janela e espreitar o cheiro dos pinheiros que me vem com o vento. Pudesse eu percorrer todas as distâncias que me separam de mim e descobrir a força que me vem de vencer a mudança. Pudesse essa força transformar em estrada larga o percurso sinuoso e deixar-me depois descansada a ver a vida crescer ao meu redor. Pudesse o que quero ser o que realmente posso e projectar esta imensidão de espaço numa qualquer varanda. E que todos os passos fossem pequenos passos e que não fosse o meu desejo mais amplo que a minha realidade. Pudesses tu entender o que digo e que a tua mão me fizesse ascender a todos os telhados pitorescos, onde desenho o esboço de um futuro quente, no lugar de uma lareira. Pudesse eu fazer-te entender a cantilena das árvores que me embala, até me ver dependurada no teu pescoço e adivinhar fragrâncias de campo num canteiro de cimento qualquer. Pudesse eu viver dentro de mim e a minha casa seria feita de janelas rasgadas ao infinito.

10 Comments:

Blogger jp said...

Vou-te contar um segredo.
No meio do muro que erguemos pedra a pedra, existe um sitio pequenino que tem uma fresta disfarçada. Tens que por lá o dedo devagar, e ir forçando todos os dias.
Quando deres por isso, uma manhã, tens o sol a entrar de roldão entre as carumas.
p.s.
jamais esquecer de andar sempre de óculos de sol.

beijo

4:38 da tarde  
Blogger Bastet said...

:) JP, tenho recebido de ti os comentários mais apropriados e ao mesmo tempo divertidos, como se soubesses sempre o que mora por detrás das minhas palavras. Obrigada e... já uso óculos de sol! Um beijo grande! :)*

5:20 da tarde  
Blogger Mocho Falante said...

pudesse eu ter palavras para descrever este teu texto. Pudesse eu dar-te um raio de sol de cheiro a urze para alegrar as tuas manhãs

Mas posso sempre dizer-te o quanto gostei deste texto

beijocas

5:52 da tarde  
Blogger The Challenger said...

Ai tanta ternura... (estou derretido) ! :)

7:31 da tarde  
Blogger Bastet said...

Querido Mochinho! Na impossibilidade do raio de sol alegrou-me o teu comentário. Um beijo. :)*

10:17 da tarde  
Blogger Softy Susana said...

sei, com tudo o que existe em mim, que és um se riluminado. e claro que existes dentro de ti. E que lindo existir! (que saudades que tinha de te ler devagar...)
beijinhos!

1:05 da manhã  
Blogger SGC said...

A window with a vew...para o seu imaginário!
*

1:11 da manhã  
Blogger SGC said...

Perdão, "view"!
*

1:26 da manhã  
Blogger Bastet said...

Softy!!! Que saudades tuas rapariga! Tenho que ir visitar-te e levar a grande melga comigo... sim que nem tudo na vida são rosas! lol!!! :)*

Challenger, acautela-te que tu derretido és bom para barrar no pão! :)*

Olá SGC! Dizem que com os anos se vão fechando janelas imaginárias mas eu insisto em rasgá-las e em querer sempre espreitar outro futuro! obrigada por passares aqui. Um beijo :)

10:45 da manhã  
Blogger jp said...

Deixei-te um agrado lá na tasca.
Beijo grande também

11:19 da manhã  

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