quarta-feira, dezembro 14, 2005

dívidas de amor

Subo a escada e paro a meio. Precisamente a meio caminho entre a subida e a descida. Entre a casa e a rua. Entre ti e outro. Sento-me nos degraus e tento descobrir o que quero. Tento saber o que não quero. E não quero a dor nem a solidão mas também quero o que me falta. A paixão, a intensidade, a liberdade de correr pelos passeios e a expectativa de te encontrar numa qualquer esquina. Não quero olhar para baixo nem quero galgar o que me separa da tua porta. Não gostaria de te ver chorar mas tenho saudade do meu riso. Não me quero ver chorar mas gostaria de te fazer feliz. Escondo a face entre os joelhos e aperto com as mãos os tornozelos. Continuo sentada no degrau até este me gelar o corpo e solidificar uma qualquer escolha. E tu desces a escada e pegas-me na mão. Passas os teus dedos entre os meus cabelos. Ajeitas a minha boca para um beijo quente e dizes que me adoras. E eu espreito por cima do teu ombro desejando que alguém suba a escada e me dispute. Mas ninguém aparece. Estás tu comigo. Como sempre estiveste. Penso que te devo mais do que uma dívida. Penso que te devo o amor que tu me tens. Sei que o amor não se deve e que o meu está emprestado a juros. Transportas-me para a casa e fechas a porta. Olhas-me e pedes-me só que eu te deixe ter-me e eu digo-te que já me tens.

13 Comments:

Blogger Elipse said...

Estamos sempre a meio caminho entre o querer e o não querer. É daí que nos vem a inquietação. Mas se soubéssemos sempre as respostas para todos os passos nos degraus iriam faltar-nos as palavras para textos como este,escritos com o coração.

1:05 da tarde  
Blogger Bastet said...

É bem verdade, palavras em linha! Não sei se queria todas as respostas como também acho que não devo proferir todas as perguntas! Um beijo e obrigada por passares aqui :)*

2:26 da tarde  
Blogger Mocho Falante said...

É o eterno jogo do toca e foge, o querer e não querer, a dependência e a e a liberdade

Mas sabe tão bem quando alguém nos diz que nos quer

beijocas

4:56 da tarde  
Blogger Bastet said...

Sobretudo quando quem nos quer é quem nós queremos :)

5:02 da tarde  
Blogger andorinha said...

É a eterna ambivalência de sentimentos que aqui está tão bem descrita.
Não existem águas estagnadas, o que é bom, apesar de isso também poder trazer uma certa inquietação.
Mas isso só significa que se está vivo!:)
Beijinho

7:22 da tarde  
Blogger adesenhar said...

o amor é belo e quando bem jogado
ultrapassa todas as barreiras.
:)
bjks

7:36 da tarde  
Blogger Bastet said...

Olá andorinha! É bem verdade o que dizes, nada como o amor para nos fazer sentir vivos. Beijinho para ti.

a-desenhar, nos jogos do amor por vezes já esfolei os joelhos a tentar saltar as barreiras mas nem por isso deixou de ser belo, tal como dizes :) Um beijo

8:03 da tarde  
Blogger th said...

Este é o lugar que eu gosto de ler! a casa que me acolhe e onde me sinto bem! e os jogos do Amor são sempre estimulantes...th

2:30 da manhã  
Blogger Bastet said...

Querida Th! Porque será que sem te conhecer acho que te conheço e porque me fazem os teus comentários ficar enternecida? Um beijo especial para ti.

10:57 da manhã  
Blogger batista filho said...

"Não gostaria de te ver chorar mas tenho saudade do meu riso. Não me quero ver chorar mas gostaria de te fazer feliz."

Como conseguiste retratar bem um momento de uma relação...!

Revelas perfeito domínio das palavras. Belíssimo texto. Encantaste-me.

Fica bem, tá?

11:08 da manhã  
Blogger Bastet said...

Vão-me faltando as palavras para te agradecer a leitura sempre tão atenta dos meus posts. Um beijo grande e bem hajas!

11:11 da manhã  
Blogger forass said...

Que sinceridade bastet!

2:56 da tarde  
Blogger Bastet said...

É do Natal Formiga! Um beijo.

12:20 da manhã  

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