sexta-feira, dezembro 09, 2005

certezas absolutas

Bem sei que prometi amar-te para sempre mas a eternidade terminou, sei-o agora. E não falo da relatividade do tempo mas do absolutismo das emoções. Como são eternas as noites de Verão enquanto sentimos o seu calor fazer-nos transpirar de certezas e é esta a eternidade que conheço. Ou como a outra estação, a que refresca lentamente logo após, nos traz a clarividência da absoluta necessidade dos agasalhos. Amei-te absoluta, total e eternamente. E isto sei-o também agora. Mas as estações retornam. Sei lá eu mais o que retorna. Tornará porventura uma outra eternidade? Voltarei eu ao princípio de todas as coisas? Que princípio ou que fim damos ao que eternamente retorna? Mas agora terminou este tempo com estas novas certezas. Como prometer se não há eternidade que a de uma quente noite de Verão ou a do refrescar de uma tarde outonal? Bem sei que pouco sei para lá do que sinto, mas de resto, o que existe para lá do que sentimos? Ou ao menos, o que me importará a infinitude se não a conheço? De que me serve a extensão do Universo senão para justificar a pequenez das minhas promessas e para tornar menos espessas as minhas certezas. Amei-te para sempre e talvez volte a amar-te para sempre. Talvez volte a prometer-te toda a minha eternidade. Não tenho ainda essa absoluta certeza.

13 Comments:

Blogger The Challenger said...

Se não há inicio..., ou fim, de que valem de facto as promessas ou os actos nesta intemporalidade que desconhecemos.

1:06 da tarde  
Blogger batista filho said...

Disseste e disseste bem dos teus sentimentos, de como "vês" o momento presente face ao que sentias ontem.
Um abraço.

2:58 da tarde  
Blogger MCM said...

Para sempre não existe...

9:25 da tarde  
Blogger Hipatia said...

Enquanto é bom, é para sempre. Depois, eterniza-se qualquer coisa. Às vezes, eterniza-se um "quase bom", como é quase bom um jantar que ontem foi delicioso e hoje é simplesmente requentado :)

11:09 da tarde  
Blogger th said...

O hoje é eterno, só deixa de sê-lo quando passa a chamar-se ontem!
Só o amanhã pode ser diferente...th

11:22 da tarde  
Blogger lena said...

:*

10:26 da tarde  
Blogger Mocho Falante said...

o "para sempre e para toda a eternidade" tem a duração do sorriso que o outro nos provoca. Quando a cara se fecha a esternidade dissipa-se como o nevoeiro em dia de calor

beijocas

12:36 da tarde  
Blogger jp said...

E o que é o amor senão amar para sempre em diferentes versões?
uma vez escrevi que gente crescida ama para sempre, a eternidade é que se torna temporal
toma lá um beijo

6:06 da tarde  
Blogger Bastet said...

Obrigada a todos pelos comentários e pela leitura tão atenta deste post! É isso tudo menina JP a eternidade é que é temporal. Tomem lá todos um beijo :)*

8:04 da tarde  
Blogger vague said...

(...)*

7:06 da tarde  
Blogger Noite said...

Nunca podemos ter certezas... nem do futuro, nem do presente... por vezes nem do passado...! Jinhos.

2:28 da manhã  
Blogger forass said...

Dizemos tantas maravilhosas, certas, sentidas, mentirosas alarvidades quando estamos apixonados, não dizemos? Sabe tão bem... :)

11:56 da manhã  
Blogger Bastet said...

Tu Formiga e essa tua capacidade de por a limpo o que eu tento dizer escondido! :)

2:29 da tarde  

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