sexta-feira, agosto 19, 2005

outro nome

E se eu fosse outro nome? Colar-se-ia o seu som ao meu corpo, como se cola este que agora me chama? Teria eu subido árvores e muros e posto as minhas mãos no colo da terra? E os meus olhos, comportas de rios, que águas fariam verter quando assim os chamassem para o adeus? E se esse meu nome fosse gritado para lá do verde, onde aguardasse o teu corpo o meu retorno, que braços poria ao alto e que gestos de sobressalto queimariam a relva? Que revoltos beijos, que soltos cabelos, varreriam as encostas já molhadas pelo sossego e que noites teriam sido manhãs ao despontar do meu nome na tua boca?

8 Comments:

Blogger miss caipira said...

Estou com saudades tuas!!!!!!
Onde andas????
E copos que é bom???? hã ;)

2:49 da tarde  
Blogger Bastet said...

As saudades são recíprocas miúda, tuas e dos copos, agora já tenho a minha melga mas alguma coisa se há-de arranjar!

2:55 da tarde  
Blogger th said...

Serias a mesma essência, que o nome não muda o que de intrínseco há em cada ser e que no teu caso é por demais forte e precioso...th

1:16 da manhã  
Blogger Bastet said...

Obrigada theo por assinalares a tua passagem por aqui de forma tão carinhosa :)*

1:48 da manhã  
Blogger batista filho said...

Se fosses outro o teu nome?... o que é mesmo um nome?!
Se a um regato cristalino chamar de riacho, córrego ou igarapé - alterará isso alguma coisa? a água que nele corre de cima para baixo, mudará o percurso ou deixará igualmente de matar a minha sede?
Um abraço fraterno, tenhas tu o nome que tiveres.
Gostei imenso do que li por cá. Volto, sem dúvida.

4:16 da manhã  
Blogger eubozeno said...

Questão interessante esta a da relação nome-ser. Às vezes, parece que há um nome único e verdadeiro, tal como em O Feiticeiro de Terramar de Ursula K. Le Guin. Nesta ficção, saber o nome verdadeiro é ter o poder de dominar o ser; por isso, os feiticeiros ocultam a identidade, usando pseudónimos. Outras vezes parece que somos diferentes consoante os nomes, apelidos, diminutivos e cognomes pelos quais nos identificam, tal como no romance Filomeno A Mi Pesar do galego Gonzallo Torrente Ballester. Aqui o herói parece mudar de personalidade consoante os diferentes nomes com que é tratado.
Gostei do post

2:18 da manhã  
Blogger Asulado said...

Em hebreu, o nome é chèm, palavra composta de duas letras, chin e mèm, cuja associação é rica de significado.
A raiz hebraica da palavra chèm é cham que quer dizer «além». Ter um nome, usar um nome, é ir além de si mesmo, inscrever-se num movimento de transcendência, ultrapassar-se a si mesmo.
Nesse sentido, ter um nome é literalmente «existir» no sentido etimológico de «estar fora...», fora de qualquer extensão que nos possamos dar.

Mark-Alain Ouaknin e Dory Rotnemer in
'A Bíblia do Humor Judaico II'

11:08 da tarde  
Blogger Bastet said...

Olá! Obrigada pelos vossos comentários que puseram o "dedo na ferida" com toda a precisão e pertinência. A questão é essa mesmo, desde logo ser-se outro nome e não apenas ter-se outro nome. Até que ponto isto altera ou não a essência de quem o tem. Deus também disse aos homens para nomearem as coisas como forma de delas se apropriarem. daqui parece decorrer que dar nome significa acrescentar algo a.

Bem vindos batista filho e eubozeno que pela primeira vez aqui comentam! :)

10:59 da manhã  

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