sexta-feira, julho 08, 2005

terra em luto

A serenidade do cair de uma pena, traçando zês, diagonais lentas, pousando muitas vezes no ar antes que caia com um leve sopro de vento no chão, contraste bruto com o cair dos corpos, pesados, mortos, em queda rápida e vertical, com um grito de uma explosão. O silêncio da terra que acolhe solene essa pena, abre sulcos de repulsa, mancha-se de sangue, molha-se de lágrimas, quando recebe à força no seu ventre, a vida que ainda não lhe era destinada.

11 Comments:

Blogger o net pulha said...

Foi o que senti quando, por engano, claro!, as tropas da coligação atingiram uma escola e um hospital em Bagadad...

3:26 da tarde  
Blogger Bastet said...

É o que sempre se sente quando a morte é bruta e injusta, independentemente dos credos, das raças, dos locais e independentemente das vozes mais ou menos patéticas que a possam querer justificar.

3:29 da tarde  
Blogger o net pulha said...

Pois é, mas há vozes que são selectivas! Só de vez em quando é que vêm chorar os mortos e a barbaridade...

4:21 da tarde  
Blogger Bastet said...

As vozes selectivas são as vozes patéticas e xenófobas que doem pela sua estupidez, pela sua desastrosa incoerência.

4:30 da tarde  
Blogger Zumbido said...

A beleza do teu discurso, contrária a toda a boçalidade que tem alimentado o mundo, vale por si e pela forma vertical como olha, sem mas, sem ses, sem reservas, o horror directamente nos olhos. Há-de haver alguma coisa que consiga distinguir o que é humano do que o não é. E se alguma vez se conseguir repelir do coração humano a ética cromaticamente selectiva e a virulência do dogma, veremos que na dor e na alegria nada nos distingue uns dos outros.

6:10 da tarde  
Blogger Caracolinha said...

O que aconteceu ontem foi mais um acto de uma violência sem limites perpetrado por criminosos sem rosto... faz lembrar a velha história do marido que diz que bebe porque a mulher é deprimida e a mulher diz que deprime porque o marido bebe ... são tudo boas desculpas para que ninguém dê o primeiro passo em frente e a sério.

Todos se atacam uns aos outros e são os inocentes quem paga a factura mais alta.

Mas a verdade é que tu escreves tão bem que cada uma das tuas palavras parece ter o efeito de uma varinha de condão, tudo aquilo em que as tuas palavras tocam, parece transformar-se numa linda narrativa.

Até o pior dos pesadelos.

Beijo Admirador ~:o)

10:17 da tarde  
Blogger Bastet said...

Queridos Zumbido e Caracolinha obrigada pelos vossos comentários, as palavras são apenas um veículo do que somos e sentimos e por isso elas riem e choram e por isso acredito no seu peso e por isso me revoltam as palavras pelas palavras despidas da verdade do ser o humano que as debita.

10:59 da tarde  
Blogger Mocho Falante said...

Quando por acaso à hora de almoço liguei a TV e vi tamanha basbárie perguntei-me se Alá também estaria a ver e se Deus andava distraído...

Quando decidi desligar a TV ainda a TVI tentava à força contar as cabeças que tinham rolado com as explosões, quando saí não contive as lágrimas e pensei, se esta é a guerra santa, então já andam por aí muitas almas que no dia que apanharam o metro nem tempo tiveram para rezar o terço ou fazer as 6 orações diárias,

2:53 da manhã  
Blogger th said...

e EU VI MEDO NOS OLHOS DUM MUÇULMANO, EM LONDRES, ENQUANTO VIA AS NOTÍCIAS...sem comentário...th

1:03 da tarde  
Blogger Nino said...

Para o português não ficar de luto, talvez para "tablette" se pudesse dizer placa, cartela ou blister (esta palavra é inglesa e, embora seja utilizada pela indústria farmacêutica, não consta no dicionário da Porto Editora). ;)

5:32 da tarde  
Blogger Bastet said...

Pois é mocho e th, quantas atrocidades continuam a ser cometidas em nome de Deus, O que nos pediu para nos amarmos uns aos outros...

Querido Ninno: Cartela! Bingo! :)*

10:10 da tarde  

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