quinta-feira, maio 05, 2005

asas de silicone

Quando as asas lhe caíram no chão tapou com as duas mãos o sexo que até então deixara a descoberto com alguma aparente inocência. E a questão não é a do sexo dos anjos mas a da queda das suas asas. Tendo em conta que o mês corrente não era o da muda da pena só podia dever-se a uma revelação. As revelações têm caracter divino e como tal devemos humildemente agradecê-las. Acenda-se a vela, a iluminária e dê-se graças em preces ao Senhor. Já a outros, e mais favoritos, as asas haviam levado sumiço em troca de rabona e tridente mas, ao que se sabe, foi processo mais assumido e diverso. Ainda assim haveria semelhanças dignas de registo: a intriga, a luxúria, a disseminação dos males - Não iremos contudo por aí que a história ganharia contornos desapropriados. Ora, quando de asas caídas e de sexo mal coberto, fica a pessoa a nu e a sós com o seu carácter. Observem-se agora com cautela os movimentos e as atitudes e registem-se para a posteridade. Destes factos dar-se-ão contas à porta do Altíssimo:
- Ao que vens?
- Busco em Vós acolhimento.
- E crês ser esta a tua morada?
- Pois se até de asas me vesti...
- E quando as mesmas te caíram, que fizeste?
- Fui altivo Senhor!
- Não chames altivez ao egoísmo, à maldade e à arrogância, não há com ela nexo de causalidade. Vai-te, vai-te!
Nas costas, quando as voltou rumo a terras mais quentes, via-se-lhe ainda a silicone com que outrora colara os alvos, penungentos e esvoaçantes ornamentos.

4 Comments:

Blogger AleKsandro said...

Palavras doutas!
Sinto mágoa nelas?

3:47 da tarde  
Blogger Bastet said...

Não Aleksandro, alívio!

3:49 da tarde  
Blogger Alcabrozes said...

Em gatês o que tu estás a fazer é comer as ervinhas da purga...
o net pulha

3:51 da tarde  
Blogger Bastet said...

A ver se regurgito :)

3:54 da tarde  

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