sexta-feira, janeiro 14, 2005

a blogobela e o blogomonstro em rima antiga

No limiar dos reinos de fadas, o reino da realidade virtual.
No reino da blogolândia aceitavam-se todos os emigrantes sem necessidade de passaporte ou requisitos especiais. A vacinação necessária para este reino boémio, resumia-se tão só a um forte alucinógeneo. Tínhamos poetas, escritores, críticos políticos, musicais, da treta e outras coisas que mais. Tínhamos personagens revisitadas, decoradas, alternativas e banais. Mil e uma meninas que escreviam nos seus diários e entre coisas bonitas encontravam namorados. Os engatatões de profissão, os pseudo-intelectuais, os humoristas inspirados, os que andavam aos achados e uns poucos de eleição. Entre esta confusão, entraram sorrateiros, dois personagens deportados do reino consagrado dos desenhos animados. Tomada a dita vacina, mal sabiam coitados qual seria a sua sina. Para quem conhece a história do Monstro e da Bela tradicional, ficará surpreendido com o desfecho da vida deste par pouco normal.
O Monstro e a Bela, por esta ordem de entrada, arranjaram dois blogs dos quais fizeram a sua morada. A Bela enfeitara de contos encantados a sua nova casinha mas com o passar do tempo e porque tinha um contador, achava-se pouco visitada e entrou desesperada em forte crise de auto-estima. Nos braços do seu Monstro procurava com desgosto fonte de inspiração mas o tema do amor, já velho e muito gasto, era fraco repasto para os contos de condão. Neste clima crescente de angústia diária suspirava descontente pelo reino ausente em que era tão estimada. O Monstro, mais umbiguista, vivia ensimesmado e muito pouco interessado no que a Bela fazia. Discutia muitos temas com colegas de profissão e achava nesta vida, um sentido, uma razão. Entre o par, outrora enamorado, caiu, tão pesado, o habitual triste fado do final de uma paixão. A Bela, entristecida, olhava-se arrependida do tempo que ali passara, revendo as velhas palavras que o Monstro lhe dedicara. Cada frase de amor, ou jura enternecida, parecia-lhe gravada na ruga muito vincada da testa empedernida do estúpido do Monstro a quem ela tanto amara mas que por tudo a trocara deixando-a só e esquecida. Mirava-se da cabeça aos pés e também aos de galinha, contando os cabelos brancos e comparando a sua sorte a um touro de Barrancos. Em fuga de recurso desligou a Internet, deu o corpo ao manifesto e saiu em passo lesto rumo à velha fronteira. Quando pisou mais ligeira terra firme do outro lado, deitou um olhar derradeiro ao seu velho companheiro que lhe parecia mudado. Como rezava a história, contada à noite às crianças, só o verdadeiro amor o livraria das semelhanças com o Monstro mais feio que havia na vizinhança. A Bela teve pena mas qualquer outra lhe pegaria com a ingénua esperança de que em príncipe o transformaria.
Para vossa informação, a Bela veio a casar, com um jovem magnata que muito lhe ofertava em jóias de ouro e prata. Dias de boas massagens e de caros tratamentos faziam a Bela ainda mais bela do que o Monstro recordava pela noite em pensamentos. Com alguns ensinamentos que herdara do estupor ela montou um "estaminé" sobre direitos de autor. No seu lindo gabinete ricamente decorado vinham em busca de conselho pessoas de todo o lado. Processou tão boa gente, da mais alta reputação, até ao dia fatídico em Monstro lhe apareceu de visita ao portão. Quando a Bela o olha de frente e lhe pergunta o que queria, uma grossa lágrima de pena pela face do Monstro corria...
- Porque choras meu idiota? Traçaste o teu destino ou julgavas porventura que outra qualquer mulher te daria a formosura?
- Sabes minha Bela, já ninguém está para me ler com a moda das Webs as gajas gostam é de ver e fogem a sete pés do Monstro triste e só que agora tu aqui vês.
- Pudeste ser um príncipe mas não... tudo tu renegaste e olha-me bem para ti no que tu te transformaste... Foi-se-te a veia, fugiu-te a inspiração e até aquelas meninas com que fazias serão...
A bem de quem nos lê, abreviamos a trágica história do Monstro envelhecido e dos seus breves dias de glória. À laia de conclusão e porque lhe falta a moral, não troquem o vosso blog pela vida real.

7 Comments:

Blogger Softy Susana said...

muito bem!

6:08 da tarde  
Blogger marvin said...

O Monstro precisa de amigos, Bastet.

6:10 da tarde  
Blogger . said...

Temos insigne plumitiva... Aplaudo de pé, e curvo-me em admiração...
LR

7:48 da tarde  
Blogger Bastet said...

Obrigada Softy e LR. Querido CC, o Monstro tem amigos mas nem sempre lhes dá ouvidos...

10:11 da tarde  
Blogger Asulado said...

Magnífico!

2:16 da tarde  
Blogger Alcabrozes said...

É pá...
LINDO!!
Amanhã falamos!

o net pulha

1:36 da manhã  
Blogger Ardina said...

Na vida real contam apenas as palavras arrebatadas ao sol e à chuva.

10:10 da tarde  

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