quinta-feira, janeiro 27, 2005

asas de malva

Já era borboleta quando voou. Asas de malva, véus de mulher, silhueta de fada, varinha, condão, asas de dança, dança parada. Fora outra qualquer, apenas mulher, vestido vulgar, mãos de tarefa, colo de filhos, caminho igual, escada de prédio, carro pequeno, carro pequeno, escada de prédio, caminho igual. E nos caminhos iguais acontecem diferenças, e nos prédios banais moram princesas, do carro pequeno alaram corséis, das escadas cinzentas rasgos de luz, anéis de sol. E quando a viram já não a viram que as asas de anjo já lhe cresciam, rosto de riso, dança parada, silhueta de fada, outra mulher. E quando a viram já não a viram, vestida de véus, braços de pomba, vôo de garça, plumas de graça, a mesma mulher. E nos dias diferentes há caminhos iguais, princesas banais vestem mulheres, corséis alados são carros pequenos e nos degraus cinzentos, com asas de malva, vai uma fada com véu de mulher.

4 Comments:

Blogger Softy Susana said...

lindo, lindo, lindo, lindo. Senti/me voar, criar asas de anjo, sensibilidade de fada, nesta mulher que transporto. lindo, lindo, lindo!

7:27 da tarde  
Blogger O Bom Selvagem said...

Ainda estou a tentar perceber como é que consegues esse efeito hipnotisante neste texto. É muito musical.

10:15 da manhã  
Blogger Bastet said...

Fico contente de alguém reparar na musicalidade das palavras, nem todos o sabem ler assim :).

11:20 da manhã  
Blogger Barão d'Holbster said...

Diz-me que isto é poesia e eu passo a perceber tudo...

10:36 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home