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Não me apeteceu perguntar-lhe porque não tocou. Lá terá os seus caprichos. Não me apeteceu aborrecer-me com ele. A bem da verdade, fiquei-lhe até um pouco grata. Esta é a função de alguns objectos, poderem ser responsabilizados, culpabilizados pela sua inércia. Desde pequena que tenho o hábito de dar nomes às coisas, aos frigoríficos, máquinas de lavar, esquentadores, bonecos, etc. Apercebi-me pois, intuitivamente e desde muito cedo, da importância de nomear o que me rodeia. Desconhecia então que esta era uma faculdade que Deus dera aos homens e, por ser divina, será seguramente mais importante do que a sua aparente inocuidade. Quando nomeamos, apossamo-nos, caracterizamos e personalizamos. O conceptualismo residente em cada nome, apodera-se do objecto nomeado dando-lhe contornos familiares, domésticos.
Quando hoje, com algum atraso, cheguei ao local onde desenvolvo alguns afazeres laborais, pude confirmar a sabedoria divina - É que o Fonseca não me acordou! Convenhamos que tem mais impacto do que a velha desculpa esfarrapada do despertador não tocar!
2 Comments:
De seu nome completo "Fonseca Galhão Mendes"...
o.n.p
Será pelas mesmas razões enumeradas que os homens dão nomes ao seu orgão genital??
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